Olá, pessoal!
Esta semana vamos falar sobre uma nova forma de aplicação que certamente entrará no radar das carteiras dos investidores pessoa física: Debêntures (títulos de crédito de emissão de empresas privadas).
Com as quedas de juros no mercado de renda fixa, o investidor terá que correr um risco maior para ganhar melhor. Esta semana está sendo negociada uma emissão de debêntures do grupo Autoban (subsidiária da CCR). Cada debênture que poderá ser comprada por investidores comuns terá valor unitário de R$ 1 mil, mas o investimento mínimo para as pessoas físicas será de R$ 3 mil. O pedido máximo de reserva na oferta de varejo será de R$ 300 mil.
Para quem está acostumado com o Tesouro Direto, sistema de compra de títulos públicos pela internet, as debêntures vão se parecer bastante com as NTN-Bs, que são corrigidas pelo IPCA e pagam uma taxa de juros prefixada, em parcelas semestrais. No caso dos papéis da Autoban, o prazo de vencimento é de cinco anos, com a amortização do principal ocorrendo em 15 de outubro de 2017.
As debêntures da concessionária devem pagar um pequeno prêmio, de até 0,25% ao ano, sobre o rendimento da NTN-B com vencimento em agosto de 2016, papel público de prazo mais próximo, por isso neste cenário ficará interessante.
Há, porém, algumas diferenças entre os títulos públicos e as debêntures a que o investidor deve prestar atenção. A primeira, que vale para as debêntures da Autoban e para os demais papéis incentivados que vierem a ser emitidos, é que elas terão isenção de IR sobre o rendimento. Como o incentivo só vale para papéis de longo prazo, isso representa uma economia de 15% sobre o retorno total.
Considerando uma inflação anual de 5% e juro real de 3,5% ao ano (taxa aproximada dos títulos públicos de cinco anos), é possível estimar um rendimento nominal bruto de 8,7% ao ano. Com a incidência do IR de 15%, a rentabilidade líquida cai para 7,4%. Como as debêntures incentivadas estão isentas de IR, não há essa redução de ganho observada nos títulos públicos e com isso o rendimento é maior.
Uma segunda diferença tem relação com a liquidez, que é a facilidade (ou não) de vender os títulos no mercado. O mercado secundário de debêntures no Brasil ainda é pouco desenvolvido, o que pode dificultar a venda antes do vencimento. No Tesouro Direto, a liquidez ocorre por meio de leilões semanais, às quartas-feiras, quando o governo se compromete a recomprar os títulos. Mas isso não acontece com tanta facilidade no caso das debêntures. Então vale analisar como um investimento realmente de longo prazo.
Resta, então, a terceira diferença entre as debêntures incentivadas e os papéis públicos. E ela tem a ver com o risco de crédito. Ao comprar títulos públicos, o investidor corre o risco de crédito do Tesouro Nacional. Ele só não receberá a taxa de juros acordada e o principal se o governo brasileiro quebrar. No caso dos papéis privados, o risco é o da empresa eventualmente ter um problema e não conseguir pagar, Como é muito difícil para um investidor comum analisar esse tipo de risco, podemos levar em consideração as opiniões das agências de rating.
No caso da Autoban, a agência de classificação de risco Standard & Poor's atribuiu nota AAA em escala nacional para os papéis, a mais alta que pode ser concedida. Ou seja, o risco de que a empresa não honre o compromisso seria mínimo. E este parece ser o momento ideal para o investidor começar a se acostumar com o mundo das agências de rating e da análise do risco de crédito. Isso porque existe a expectativa de que em breve comecem a aparecer com mais frequência diversas emissões semelhantes, de segmentos como energia e de outros ramos de logística.
É que em troca do incentivo fiscal, o governo espera que cresçam os investimentos em infraestrutura, visto que o governo incentiva as emissões das empresas de infraestrutura, que usam os recursos para crescerem seus investimentos em produção. Os investidores ganham porque tem uma rentabilidade razoável e o risco é relativamente menor em comparação com ações. E o governo ganha também porque deixa de colocar recursos ali. Por isso o mercado acredita que este instrumento em breve esteja rondando mais fortemente nossas opções de aplicações, com mais empresas usando este recurso.
Vamos ficar atentos e aproveitar!
Fico por aqui, até a próxima!