segunda-feira, 23 de julho de 2012

Tensão com Espanha e Grécia derruba mercados


Olá, pessoal...

Os mercados iniciam esta semana de julho bastante nervosos. Agora há pouco o índice Bovespa caia mais de 3%... 

 Conforme eu já havia mencionado em conversas e no blog, a crise na Europa está longe de ser resolvida.... Hoje a palavra de ordem é a fuga do risco nos mercados, diante do agravamento das preocupações com a situação da Europa, em especial de Grécia e Espanha. Sob intenso pessimismo, investidores reagem vendendo ações e comprando dólares e títulos do Tesouro dos Estados Unidos.

 O risco dos espanhóis serem obrigados a pedir um socorro completo, e não apenas para recapitalizar seus bancos, aumentou. Na Grécia, pesa a notícia de que o Fundo Monetário Internacional (FMI) teria sinalizado a Bruxelas que pode não participar da próxima parcela de ajuda aos gregos, que teriam descumprido as promessas de reforma. E ainda fazendo frente a esse ambiente tenso, a comissão que regulamenta o mercado de ações da Espanha proibiu as vendas a descoberto de ações no país por um período de três meses, na tentativa de conter o excesso de volatilidade. Mais cedo, a Itália também fez o mesmo, mas apenas para ações do setor financeiro e por apenas uma semana inicialmente.

 O ministro alemão das Finanças, Wolfgang Schaeuble, diz não temer que a Espanha trilhe o mesmo caminho da Grécia depois de um acordo de 100 bilhões de euros em empréstimos com Madri. Citado pelo jornal Bild, Schaeuble avaliou que a situação espanhola é totalmente diferente da grega, que até agora tem sido incapaz de preencher as condições para receber dois pacotes de ajuda no total de 240 bilhões de euros. "A economia espanhola é muito mais forte e possui uma estrutura diferente. O país estará em breve de volta ao caminho certo", sustentou.

 O ministro alemão não quis falar se pensa que a Grécia vai abandonar o euro se a chamada troica - Fundo Monetário Internacional (FMI), Banco Central Europeu (BCE) e Comissão Europeia (CE) - apresentarem um documento negativo nesta semana.  Porém em outra matéria que li no Valor desta segunda-feira, a Alemanha e outros importantes credores internacionais não estariam preparados para estender os empréstimos à Grécia para além do que já foi acordado, segundo o jornal Süddeutsche Zeitung. Um dia antes, a revista Der Spiegel indicou que o Fundo Monetário Internacional (FMI) também sinalizou que não vai tomar parte em qualquer financiamento adicional para a Grécia. Conforme a publicação, sem o FMI, aumenta a chance de a Grécia quebrar, o que pode ocorrer em setembro.

 Também ontem, em entrevista à emissora alemã ARD, o ministro da Economia da Alemanha, Philipp Roesler, disse que está "mais do que cético" de que os esforços da Grécia vão ser bem sucedidos. "Se a Grécia não mais atender às solicitações, não haverá novos pagamentos."Roesler, que também é vice-chanceler da Alemanha, comentou que a ideia de a Grécia deixar o euro "não é mais tão aterrorizadora". Os comentários vieram em meio à pressão sobre os gregos enquanto se aguarda o pronunciamento da troica - FMI, Banco Central Europeu (BCE) e Comissão Europeia (CE) - se Atenas implementou suficientemente as reformas necessáris e se realizou os cortes pedidos para receber o resgate financeiro prometido.

 O Der Spiegel Online noticiou que a Grécia está atrasada com os cortes orçamentários e quer suavizar os termos do socorro de 130 bilhões de euros, acertado em março com seus parceiros europeus e com o FMI, para abrandar o impacto sobre sua economia. O governo buscaria mais prazo para conseguir atender ao que foi acertado e isso implicaria mais 50 bilhões de euros de ajuda, dinheiro esse que tanto Berlim como o Fundo não estariam dispostos a desembolsar. E vale recordar que, na sexta-feira, o Banco Central Europeu (BCE) avisou que não vai mais aceitar bônus soberanos gregos como garantia de empréstimos.

  Por conta de todo este cenário, aqui a bolsa de valores sofre diretamente com o agravamento das tensões e deixa a casa dos 54 mil pontos para situar-se na linha dos 52 mil pontos. As bolsas em Wall Street caiam pela manhã mais de 1%, enquanto as perdas chegavam a 3% em Frankfurt e Milão. Já o dólar tem alta ao redor de 1% ante o real, reagindo à fuga do risco e à consequente busca por ativos seguros que domina os mercados externos.

Ufa.... devemos ter uma semana bastante pesada.... vamos acompanhando...

Um grande abraço, fico por aqui..