terça-feira, 16 de julho de 2013

É hora de sair?

Olá, pessoal...

O ano de 2013 está sendo na minha visão um ano dos piores que vivenciei nestes mais de 15 anos de experiência com o mercado financeiro.... até mais se compararmos com 2008... vejam a análise:

No auge da crise em 2008 nós tivemos o pior mês da nossa então história recente da bolsa, com uma queda de mais de 25% num único mês (Outubro), o que fez o ano fechar com o Ibovespa em queda de aproximadamente  49%.... mas naquele momento estávamos vivenciando o risco de quebra de várias grandes empresas americanas, como GM, o banco Citibank (o maior do país), além de termos acompanhado a crise imobiliária que levou com ela alguns vários pequenos bancos por lá..... De lá para cá ainda tivemos a junção da crise europeia, com países como Portugal, Grécia e Espanha com problemas em seus fluxos financeiros e necessitados de apoio monetário de gigantes como a Alemanha, buscando garantir a perenidade e solidez de toda a zona do euro... e estes países ainda sofrem, arrastados aqui e acolá com notícias que pesam nos bolsos, empregos e crescimento das suas  nações...

Por aqui naquele momento a crise ainda não nos assustava. O país crescia (ainda que sempre abaixo de nossos colegas latinos), desemprego controlado, fluxo intenso de recursos estrangeiros, alguns investimentos e muito otimismo contando com as entradas de recursos que adviriam dos eventos Copa e Olimpíadas... e olha que foram muitos recursos entrando..... estabilizamos nossas reservas, conquistamos um lugar ao sol e esquecemos que há nuvens e tempestades que precisam de cautela e cuidados... e que obviamente para se ter investimentos é preciso não também deixar de investir, acreditado que é possível colher sem plantar (qualquer mera comparação com as “bolsas qualquer coisa” é mera coincidência)

E então vem 2009, um ano excelente, de quase recuperação total da bolsa... Mas na continuação do ciclo o mundo todo para de investir sem olhar e resolve prestar atenção em nosso país... já que havia tanto recurso entrando em nossos mercados... e aí aparece nossa falta de infraestrutura, sem investimentos com foco em longo prazo.... decisões políticas que afetam a economia e os planos empresariais com impostos e novidades não previstas nos planos de investimentos dos empresários e mudanças não planejadas sem haver um cenário de estabilidade, além de projeções não entregues sobre o crescimento do PIB (para este ano o crescimento pífio esperado é de apenas 1,7% ....). Ou seja, a credibilidade se esvai....

Também vimos nossos pares do BRIC tais como China (ok, esta já era melhor antes mesmo), Rússia e até mesmo a Índia sendo consideradas melhores países para se investir do que o nosso....  Na América os EUA iniciaram, de leve, uma retomada de crescimento e possibilidade de diminuição de seus pacotes de estímulos.... numa economia considerada ainda a mais forte do mundo, isso até era esperado... e então, o fluxo de capitais voltou correndo para seus antigos donos....

Por aqui até a poupança nesta nova alta das taxas de juros para 8,5%a.a. passou a ser mais atrativa que os fundos de renda fixa. Mas tudo isso não é motivo para desespero..... Este cenário, assim como em todos os existentes no cíclico mercado de investimentos, nos abre algumas alternativas....

A recomendação dependerá muito do perfil de cada cliente. Mas a dica é manter parte das alocações em produtos que acompanhem as taxas de juros e se beneficiarão desta alta (operações pós fixadas), tais como CDB´s, títulos do tesouro direto, alguns fundos DI que também tenham operações de crédito (dependendo do perfil de risco, claro) e até alguns produtos multimercados que operem com câmbio e hedge poderão ter boas rentabilidades, além dos fundos imobiliários que pagam bons aluguéis. E claro, porque não falar, aplicações em fundos que aportem seus capitais em investimentos além do Brasil, em alguns fundos globais e com posições no exterior?

Afinal, bolsa brasileira e mercados atrelados a índices de preços e mesmo o clássico fundo de renda fixa exigirá mais cautela e prazo, para poderem trazer melhores resultados..... A pena é este momento não termos expectativas de melhoria em tão curto prazo... Porque neste contexto, necessário é que o governo faça suas reformas urgentes e necessárias, permitindo que o mercado (especialmente o investidor estrangeiro) volte a acreditar e perceber maior credibilidade, seriedade e foco num crescimento sustentável, com medidas eficientes de longo prazo e não somente visando à ações populistas e focadas em reeleições e manutenção de poder.... assim esperamos.


Fico por aqui, até a próxima!