Olá, pessoal...
O ano de 2013 está sendo na minha visão um ano dos
piores que vivenciei nestes mais de 15 anos de experiência com o mercado
financeiro.... até mais se compararmos com 2008... vejam a análise:
No auge da crise em 2008 nós tivemos o pior mês da
nossa então história recente da bolsa, com uma queda de mais de 25% num único
mês (Outubro), o que fez o ano fechar com o Ibovespa em queda de
aproximadamente 49%.... mas naquele
momento estávamos vivenciando o risco de quebra de várias grandes empresas
americanas, como GM, o banco Citibank (o maior do país), além de termos
acompanhado a crise imobiliária que levou com ela alguns vários pequenos bancos
por lá..... De lá para cá ainda tivemos a junção da crise europeia, com países
como Portugal, Grécia e Espanha com problemas em seus fluxos financeiros e
necessitados de apoio monetário de gigantes como a Alemanha, buscando garantir
a perenidade e solidez de toda a zona do euro... e estes países ainda sofrem,
arrastados aqui e acolá com notícias que pesam nos bolsos, empregos e
crescimento das suas nações...
Por aqui naquele momento a crise ainda não nos
assustava. O país crescia (ainda que sempre abaixo de nossos colegas latinos), desemprego
controlado, fluxo intenso de recursos estrangeiros, alguns investimentos e
muito otimismo contando com as entradas de recursos que adviriam dos eventos
Copa e Olimpíadas... e olha que foram muitos recursos entrando..... estabilizamos
nossas reservas, conquistamos um lugar ao sol e esquecemos que há nuvens e
tempestades que precisam de cautela e cuidados... e que obviamente para se ter
investimentos é preciso não também deixar de investir, acreditado que é possível
colher sem plantar (qualquer mera comparação com as “bolsas qualquer coisa” é
mera coincidência)
E então vem 2009, um ano excelente, de quase
recuperação total da bolsa... Mas na continuação do ciclo o mundo todo para de
investir sem olhar e resolve prestar atenção em nosso país... já que havia
tanto recurso entrando em nossos mercados... e aí aparece nossa falta de
infraestrutura, sem investimentos com foco em longo prazo.... decisões
políticas que afetam a economia e os planos empresariais com impostos e
novidades não previstas nos planos de investimentos dos empresários e mudanças não
planejadas sem haver um cenário de estabilidade, além de projeções não
entregues sobre o crescimento do PIB (para este ano o crescimento pífio
esperado é de apenas 1,7% ....). Ou seja, a credibilidade se esvai....
Também vimos nossos pares do BRIC tais como China (ok,
esta já era melhor antes mesmo), Rússia e até mesmo a Índia sendo consideradas
melhores países para se investir do que o nosso.... Na América os EUA iniciaram, de leve, uma
retomada de crescimento e possibilidade de diminuição de seus pacotes de
estímulos.... numa economia considerada ainda a mais forte do mundo, isso até era
esperado... e então, o fluxo de capitais voltou correndo para seus antigos
donos....
Por aqui até a poupança nesta nova alta das taxas de
juros para 8,5%a.a. passou a ser mais atrativa que os fundos de renda fixa. Mas
tudo isso não é motivo para desespero..... Este cenário, assim como em todos os
existentes no cíclico mercado de investimentos, nos abre algumas
alternativas....
A recomendação dependerá muito do perfil de cada cliente. Mas a dica é manter parte das alocações em
produtos que acompanhem as taxas de juros e se beneficiarão desta alta (operações
pós fixadas), tais como CDB´s, títulos do tesouro direto, alguns fundos DI que
também tenham operações de crédito (dependendo do perfil de risco, claro) e até
alguns produtos multimercados que operem com câmbio e hedge poderão ter boas
rentabilidades, além dos fundos imobiliários que pagam bons aluguéis. E claro,
porque não falar, aplicações em fundos que aportem seus capitais em
investimentos além do Brasil, em alguns fundos globais e com posições no
exterior?
Afinal, bolsa brasileira e mercados atrelados a índices
de preços e mesmo o clássico fundo de renda fixa exigirá mais cautela e prazo, para
poderem trazer melhores resultados..... A pena é este momento não termos
expectativas de melhoria em tão curto prazo... Porque neste contexto, necessário
é que o governo faça suas reformas urgentes e necessárias, permitindo que o
mercado (especialmente o investidor estrangeiro) volte a acreditar e perceber
maior credibilidade, seriedade e foco num crescimento sustentável, com medidas
eficientes de longo prazo e não somente visando à ações populistas e focadas em
reeleições e manutenção de poder.... assim esperamos.
Fico por aqui, até a próxima!
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