Mercados digerindo a mudança da poupança e seus reflexos nas
taxas de juros e títulos. no mercado financeiro...
Com a perspectiva de queda da taxa básica de juros para
patamares abaixo da mínima histórica de 8,75%, que já está sinalizado agora
pelo governo ao efetivamente mexer no cálculo da poupança conforme eu já
postei antes aqui, os investidores começam dar preferência às emissões de títulos
de crédito privado indexados à inflação em relação aos papéis atrelados à taxa
do depósito interfinanceiro (DI), aquele que acompanha a Selic.Hoje quase 90% de todos os papéis emitidos por bancos e empresas no país são atrelados ao DI, que possui correção diária. Mas esse cenário começa a mudar. O movimento, que teve início em agosto com o início do ciclo de redução da Selic, ganhou força na semana passada, após a mudança na remuneração da caderneta de poupança, que na prática removeu o piso para os juros em 9% que o Copom havia sinalizado em sua última ata.
A queda da Selic
derrubou o rendimento dos títulos públicos, o que levou a uma corrida por
papéis de crédito privado, que historicamente apresentam uma remuneração maior
por conta do risco ao investidor. Com mais procura, esse prêmio também vem
caindo, mas os títulos corrigidos pela inflação ainda apresentam ganhos relativamente
melhores em relação aos atrelados ao DI. Enquanto uma debênture de uma empresa
com grau de risco baixo é emitida com um prêmio em torno de 1% do DI, o título
da mesma empresa atualizado pela inflação medida pelo IPCA pode sair até 2%
acima dos papéis do governo.
Para as empresas,
pode fazer mais sentido em seu balanço administrar uma dívida corrigida pelo
índice de preços do que pela taxa de juros. E olhando para o investidor este
ganha por se proteger de um eventual repique inflacionário, quando houver.
Além dos títulos
privados tradicionais, o mercado deve também optar por produtos alternativos,
tais como Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC) e Cédulas de
Crédito Imobiliário (CCI), que oferecem uma remuneração mais alta do que as
debêntures tradicionais, ou até mesmo alguns tipos de LCI´s ou CRIs (Letras de
Crédito Imobiliário ou Certificados de Recebíveis Imobiliários), instrumentos
com isenção de imposto de renda para pessoas físicas. É isso aí, pesquisar e buscar alternativas sempre melhores!!
Fico por aqui, até a próxima!
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