quinta-feira, 3 de maio de 2012


Pessoal, bom dia!!

 Finalmente após cinco horas de reunião com a presidente Dilma Rousseff ontem, o ministro da Fazenda, Guido Mantega voltou ao seu gabinete para terminar o novo modelo de remuneração das cadernetas de poupança que o governo anunciará hoje. A base da proposta será é garantir à caderneta uma rentabilidade equivalente a 70% da taxa Selic. Discutia-se, ainda, a possibilidade de se fazer uma escala conforme o valor dos depósitos. Até determinada faixa (R$ 50 mil ou R$ 70 mil, por exemplo), o poupador receberia 80% da Selic e acima desse valor, 70%, mas provavelmente ficará fixo em 70% . Porém para as aplicações já existentes não deve haver qualquer modificação.

 A divulgação da medida, que originalmente seria feita ontem foi adiada para hoje. A presidente terá durante o dia vários encontros para obter apoio político à alteração das regras da poupança. Primeiro, com o Conselho Político e, em seguida, com as centrais sindicais e empresários. Antes, porém, deverá ter uma nova discussão com Mantega para fechar o texto final.

 Conforme eu já mencionei aqui, tratada com extrema cautela pela presidente esta modificação, por conta do impacto político que pode gerar a alteração na rentabilidade da principal aplicação do pequeno poupador, a caderneta acabou tornando-se um entrave para a queda da taxa básica de juros, visto que atualmente ela é remunerada por juros fixos de 0,5% ao mês (6,17% ao ano) mais a variação da Taxa de Referência (TR), hoje de 0,02%, e isenção do Imposto de Renda. Com a eventual redução da Selic para 8,5%, a TR deve cair para zero e a isenção do IR será preservada. Os depósitos já existentes permanecem com essa regra mesmo.

 Porém esta garantia legal da remuneração da poupança transformou-se num piso máximo para o Comitê de Política Monetária (Copom) cortar os juros. As cadernetas, com a Selic em 8,5% ao ano, são mais competitivas do que as aplicações em fundos de investimentos e em títulos públicos, os quais, claro, o governo não pode e nem deve abrir mão.

 Da forma como está hoje, o rendimento da poupança equivale a 68,5% da Selic (de 9% ao ano). Caso os juros caiam para 8,5% ao ano e a poupança tenha seu rendimento atrelado a uma taxa com 80% da Selic, a correção da caderneta seria de 6,8% ao ano - superior, portanto, aos 6,17% atuais. Com 70% da Selic, o reajuste passa a ser de 6,3%,

 Na semana passada, Dilma havia pedido criatividade a Mantega na elaboração de propostas. A discussão mais imediata que surge em torno das mudanças na poupança é o que acontecerá com os recursos que financiam a habitação. Teotônio Rezende, diretor de habitação da Caixa Econômica Federal, diz que a mudança do cálculo preserva a atratividade da poupança como investimento justamente porque será atrelada à taxa básica de juro, que remunera os títulos públicos.

 Porém a velha discussão sobre a insuficiência do "funding" de poupança para garantir as concessões de crédito imobiliário nos próximos permanece, pois como ficarão estes contratos? E se as taxas de juros por acaso subirem muito, como o mutuário irá pagar, se está atrelado o contrato a ela?  Bem, continuemos a acompanhar...

 Fico por aqui, até a próxima!!

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