Pessoal, bom dia!!
Finalmente após cinco
horas de reunião com a presidente Dilma Rousseff ontem, o ministro da Fazenda,
Guido Mantega voltou ao seu gabinete para terminar o novo modelo de remuneração
das cadernetas de poupança que o governo anunciará hoje. A base da proposta será
é garantir à caderneta uma rentabilidade equivalente a 70% da taxa Selic.
Discutia-se, ainda, a possibilidade de se fazer uma escala conforme o valor dos
depósitos. Até determinada faixa (R$ 50 mil ou R$ 70 mil, por exemplo), o
poupador receberia 80% da Selic e acima desse valor, 70%, mas provavelmente
ficará fixo em 70% . Porém para as aplicações já existentes não deve haver
qualquer modificação.
A divulgação da medida, que
originalmente seria feita ontem foi adiada para hoje. A presidente terá durante
o dia vários encontros para obter apoio político à alteração das regras da
poupança. Primeiro, com o Conselho Político e, em seguida, com as centrais sindicais
e empresários. Antes, porém, deverá ter uma nova discussão com Mantega para
fechar o texto final.
Conforme eu já mencionei aqui, tratada
com extrema cautela pela presidente esta modificação, por conta do impacto
político que pode gerar a alteração na rentabilidade da principal aplicação do
pequeno poupador, a caderneta acabou tornando-se um entrave para a queda da
taxa básica de juros, visto que atualmente ela é remunerada por juros fixos de
0,5% ao mês (6,17% ao ano) mais a variação da Taxa de Referência (TR), hoje de
0,02%, e isenção do Imposto de Renda. Com a eventual redução da Selic para
8,5%, a TR deve cair para zero e a isenção do IR será preservada. Os depósitos
já existentes permanecem com essa regra mesmo.
Porém esta garantia legal da
remuneração da poupança transformou-se num piso máximo para o Comitê de Política
Monetária (Copom) cortar os juros. As cadernetas, com a Selic em 8,5% ao ano,
são mais competitivas do que as aplicações em fundos de investimentos e em
títulos públicos, os quais, claro, o governo não pode e nem deve abrir mão.
Da forma como está hoje, o
rendimento da poupança equivale a 68,5% da Selic (de 9% ao ano). Caso os juros
caiam para 8,5% ao ano e a poupança tenha seu rendimento atrelado a uma taxa
com 80% da Selic, a correção da caderneta seria de 6,8% ao ano - superior,
portanto, aos 6,17% atuais. Com 70% da Selic, o reajuste passa a ser de 6,3%,
Na semana passada, Dilma havia
pedido criatividade a Mantega na elaboração de propostas. A discussão mais
imediata que surge em torno das mudanças na poupança é o que acontecerá com os
recursos que financiam a habitação. Teotônio Rezende, diretor de habitação da
Caixa Econômica Federal, diz que a mudança do cálculo preserva a atratividade
da poupança como investimento justamente porque será atrelada à taxa básica de
juro, que remunera os títulos públicos.
Porém a velha discussão sobre a
insuficiência do "funding" de poupança para garantir as concessões de
crédito imobiliário nos próximos permanece, pois como ficarão estes contratos?
E se as taxas de juros por acaso subirem muito, como o mutuário irá pagar, se
está atrelado o contrato a ela? Bem, continuemos a acompanhar...
Fico por aqui, até a próxima!!
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