Hoje o Banco Central (BC) revisou a projeção de crescimento real
do Produto Interno Bruto (PIB) para 2,5% em 2012, de acordo com o
Relatório Trimestral de Inflação divulgado no Jornal Valor. A estimativa anterior era
de expansão de 3,5%, número que constou no documento de dezembro do ano passado
e que foi mantido na versão de março deste ano. O desempenho da economia
esperado pelo BC é mais modesto do que a projeção oficial do Ministério da
Fazenda – expansão de 4%. No entanto, o ministro da Fazenda, Guido Mantega,
continua afirmando que o crescimento da economia brasileira neste ano será
maior do que o do ano passado....
será?
No ano passado o
PIB brasileiro cresceu 2,7%, depois de ter registrado expansão de 7,5% em 2010.
Mas o Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou que a taxa de crescimento
do primeiro trimestre deste ano foi de apenas 0,2% sobre o quarto trimestre de
2011. O mercado é ainda menos otimista do que o BC e a equipe econômica do
governo. A expectativa de crescimento do PIB foi revisada para 2,18%, segundo
dados do boletim semanal Focus, publicado nesta segunda-feira. Algumas
instituições já reduziram as projeções de expansão para o ano a níveis abaixo
de 2%. A estimativa de Credit Suisse (1,5%) indignou o ministro da Fazenda, que
considerou o número é uma “piada”.
Eu confesso que acompanho mais de perto as estimativas dos bancos que a do
governo... ainda mais em ano eleitoral, não? E falando em governo, para
impulsionar o nível da economia doméstica e combater os efeitos da crise
financeira internacional, ele vem
adotando medidas fortes de
estímulo à atividade, resta saber os impactos
negativos que isto poderá trazer no longo prazo.... Dentre estas medidas estão o incentivo
ao consumo (como redução de IPI para linha branca e automóveis, além de corte
de IOF sobre empréstimos para pessoas físicas e liberação de compulsórios),
proteção à indústria (por meio de desoneração da folha de pagamento para alguns
setores, por exemplo) e linha de crédito de R$ 20 bilhões para Estados.
E ainda ontem o governo também anunciou um programa de R$ 8,43 bilhões
em compras de equipamentos e máquinas dentro do programa PAC Equipamentos –
Programa de Compras Governamentais. No mesmo evento foi divulgada a redução da
Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) de 6% para 5,5% ao ano para estimular os
investimentos das empresas.
Voltando ao relatório
Trimestral de Inflação, o BC também passou a projetar que a inflação termine 2012
acima do centro da meta. A autoridade monetária calcula que a variação do
Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fecharia o ano em 4,7%, na
hipótese de a taxa básica de juros manter-se em 8,5% ao ano. A projeção
refere-se ao cenário de referência, que também leva em conta uma taxa de
câmbio constante em R$ 2, nível que estava em 8 de junho. E ainda, a inflação
ficaria acima do centro da meta, que é de 4,5%, estipulada pelo Conselho
Monetário Nacional (CMN) em todos os trimestres deste ano.
No relatório anterior, divulgado em março, a inflação projetada
para 2012 era de 4,4%, mas os parâmetros macroeconômicos eram outros. O cenário
de referência desse documento levou em consideração a meta de taxa Selic do momento,
tendo como hipótese a taxa de juro básico constante em 9,75% ao ano, 1,25 ponto
percentual acima do que foi considerado no atual relatório. O documento de março também
considerava manutenção da taxa de câmbio em R$ 1,75.
Ainda de acordo com o relatório, neste atual cenário de mercado a
meta da taxa Selic chegaria a
dezembro deste ano em 8% ao ano
de acordo com o relatório. Para 2013, a taxa básica de juros é estimada em 8,92% ao ano. Para
o segundo trimestre de 2014, as expectativas indicam taxa Selic de 8,93% ao
ano. Já as minhas fontes no banco Safra projetam uma Selic a 7 –
7,5% ainda este ano. A taxa de câmbio, por sua vez, estaria em R$ 1,92 no fim
deste ano e em R$ 1,88 no fim de 2013.
Bem, fico por aqui, até a próxima,
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